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Deixa que faça poesia sobre a tua pele,
nela
e referente a ela.
Permite-me que enche de ti os meus sonetos
que os transborde da tua pessoa,
que os volte saborosos
com tão digno ingrediente!
Deixa-me que te tatúe as minhas palavras de amor
em versos (não) pareados
e que os meus poemas se embelezem
com a tua presença neles.
Dá licença à minha alma
para que dance com a tua
para que encarnem
o prodígio da amornía.
Deixa-me entrar na tua vida
e que a encha,
ainda mais,
de vida!
Que este,
o teu admirador,
possa tentar
contribuir
à fazer ainda
mais bela
ainda mais digna de ser vivida.
E lembrada.
Deixa que a tua biologia
se faça uma com a minha.
Que o que vem de um tronco comum
a ele volte.
Dá a tua licença para que os nossos
corpos sejan concebidos,
durante milhões de anos,
e desenhados
para gozar
e fazer gozar,
para que sirvam de veículo
até o altar do amor,
da Unidade,
mas
também
da sensualidad
e da lujuria.
Deixa que ardam
nos fogos
da sagrada paixão.
Que seja crime e castigo,
ígneo,
ao mesmo tempo.
Doce pecado!
Deixa que encarnem o amor
e que o façam carne.
Dança comigo
a eterna dança
do intercâmbio
de cromossomas
repes.
Dá-me os teus,
toma os meus.
Assim nos completamos,
não só nos complementamos.
A Vida retoma rumo,
retoma vida.
Nosso goze volta-se pessoa.
E a nossa pessoa goze.
Abre as tuas portas, amor
areja a fundo
todas os teus simas
deixa sair todo o velho,
te renova
comigo
na chuva
de saliva
suor
(e outros lubrificantes)
que nos banha
envolve
e apura.
Faz-me o teu livre escravo
o teu escravo livre.
Ata aos teus epitélios,
envolve das tuas mucosas
troquemos o que (não) nos sobra
para ter o que nos toca
e o que desejamos.
Úngeme da tua presença,
da tua companhia,
da tua entrega
e delírio.
Levar-te-ei por novos caminhos,
indómitos,
ignotos,
selvagens
e espantosos.
Fá-te-ei visitar templos
abandonados,
pirâmides onde
serás a minha faraona.
Nos que farei todo o possível por momificarte
extraindo todos os teus sucos
te matando de prazer
para depois,
os repor, contigo.
Façamos de todo o sepulcro,
da cada sarcófago
um ninho de vida,
de ilusão,
de alegria
e de festa.
Que os mausoleos
se abram!
Hoje toca dia de resurreição
geral,
vivamos
o amor desenfrenadamente
e fazer Universal.
Que o nosso carinho
é para proclamar
e difundir.
Tu me dás vida
e
motivos
para
celebrala.
A tua pele é poesia,
a tua poesia
é o meu vestido,
é a minha pele.
Deixa que ma ponha!
Gerttz
[para disfrutar de la declamación en voz del propio autor de esta obra: http://www.Gerttz.net/Deja Que Haga Poesía Sobre Tu Piel (declamación).html]